quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

As novas musas da MPB

Nos últimos anos a música brasileira teve um aumento de qualidade que há muito tempo não se via. A década de 1990 foi paupérrima em termos de composição e interpretação. Salvo, claro, algumas exceções.
Pensei em falar das três melhores cantoras que surgiram na segunda metade da década de 2000, mas concluí que são quatro as principais e não posso deixar de mencionar nenhuma delas. Seria uma injustiça com elas e com a moderna Música brasileira.
São as quatro que mais me impressionaram, seja pela voz, pela simpatia, pelo carisma ou simplesmente pela empatia que tive com elas.
Vou listá-las em ordem alfabética e não na ordem de minha preferência.



1 – Céu

A Paulistana Céu nasceu em 17 de Abril de 1980. Lançou seu primeiro disco em 2005. Indicada duas vezes ao Grammy Latino; Em 2006, na categoria artista revelação e em 2007, como melhor cantora. Faz um enorme sucesso no exterior, seus discos venderam mais de 100 mil cópias nos Estados Unidos e chegou a ocupar o top 100 das paradas estadunidenses da Billboard, feito antes só alcançado por Astrud Gilberto, quando gravou Garota de Ipanema nos anos 60.
Com uma voz suave e uma certa “malemolência” que encanta a todos que a ouvem e que a vêem, Céu conquistou também a Europa. A voz meiga e o timbre peculiar nos fazem parar diante do rádio, ou de qualquer aparelho que toque sua música, e perguntarmos de quem é essa voz que nos envolve. É uma voz nostálgica, que nos remete a coisas boas do passado, nos faz voltar à infância. Sua música relaxa e faz bem não só aos ouvidos, mas a mente e ao corpo como um todo.

2 – Maria Gadú

Quem ouve pela primeira vez a voz dessa paulistana de 23 anos (1986) fica impressionado com a força vocal e a potencia que ela consegue transmitir. Os ouvintes logo tentam associa-la a alguma outra cantora. Lembram de Cássia Eller, Zélia Duncan e outras grandes intérpretes de nossa música. Ao vê-la então, muitos dizem: “É a nova Cássia”. Maria Gadú é apenas Maria Gadú. E isso não é pouco. Com uma inteligência rara e um tato primordial para escolher repertório, que poucos têm, ela em alguns meses conquistou primeiro a crítica, depois o público. Ela canta desde “Ne Me Quitte Pas”, do francês Jacques Brel e que ficou imortalizado na também potente voz de Maysa, até “Baba” de Kelly Key transformando com maestria a canção pouco erudita e despretensiosa da cantora em algo belíssimo de se ouvir. Ela ainda interpreta Os Paralamas do Sucesso (Lourinha Bombril, Caleidoscópio e Lanterna dos Afogados). Isso sem falar nas suas composições. Sim, ela também compõe, o que deixa seu trabalho ainda mais valoroso. Melhor do que falar de Maria Gadú é ouvi-la, ouvi-la e ouvi-la novamente.


3 - Roberta Sá



A potiguar Roberta Sá apareceu para o público pela primeira vez na segunda edição do programa Fama, da Rede Globo, em 2002. A cantora foi eliminada na quarta semana, mas alguém se lembra do vencedor do programa?
Roberta Sá lança seu primeiro álbum em 2005 – Braseiro - com canções de diversos nomes da MPB, variando de Chico Buarque e Paulinho da Viola a Marcelo Camelo e Pedro Luís, do grupo Pedro Luís e a Parede, seu marido. Já em seu disco de estréia, ela consegue boa repercussão e aos poucos foi se firmando como um das maiores intérpretes da música brasileira atual, gravando ao lado de Chico Buarque, Ney Matogrosso, MPB-4, Tom Zé e outros grandes de nossa música.
Roberta se tivesse apenas a voz que tem, já seria uma intérprete excepcional, mas além da sua potencia vocal, ela possui uma beleza ímpar, um graciosidade, uma delicadeza e ao mesmo tempo uma altivez que fazem com que o conjunto da obra seja algo de se admirar.
Como se não bastasse, a moça ainda conta com amigos e parceiros de inquestionável qualidade. Com todos esses pontos a favor, só é possível concluir que ela, com pouco mais de cinco anos de carreira, já pode ser colocada no mesmo patamar das grandes estrelas da MPB. Seus discos ficam melhores a cada lançamento. Ela vai se renovando sem perder a essência. Em suma, Roberta Sá é espetacular!






4 - Tiê

Tiê já foi modelo de sucesso, estudou canto em Nova Iorque e foi vocalista da banda de apoio de Toquinho. Ano passado, por selo independente, lançou seu primeiro CD. Aclamada em solo paulistano, a artista ainda é desconhecida do grande público.
O nome de seu CD primogênito, Sweet Jardim, cabe muito bem para defini-la. Sua voz é doce, sem deixar de se fazer presente. Seu estilo, definido por muitos como folk, se encaixa muito bem no atual cenário musical brasileiro.
Tiê aos poucos vai nos envolvendo, sua voz nos abraça como uma brisa quente num dia de inverno. É bom ouvi-la a qualquer hora do dia, mas experimente fazer isso na solidão da noite, a experiência fica ainda melhor.
Tiê tem tudo para se firmar no cenário musical brasileiro. A concorrência é grande, mas isso não importa, há sempre lugar para o talento.


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Ainda há dezenas de outras cantoras que mostram a força das mulheres na nova música brasileira. Cantoras como Mariana Aydar, Erika Machado, Ana Cañas, Marina Machado, Bruna Caram, Marina de La Riva. Isso sem falar nas vocalistas de bandas de pop rock que se aventuraram e, com sucesso, nas carreiras solo, cantando MPB, como é o caso de Fernanda Takai e Paula Toller.
Se depender de novos talentos, a música brasileira vai continuar forte por muito tempo ainda.

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