quinta-feira, 15 de abril de 2010

Caminhada


Pronto. Está bem. Tudo novo. Felicidade. Nem tanto. Uma nova fase está por vir. Com ela novos ares, novas companhias, novas pessoas. Novo lugar. Expectativa. Com o passar do tempo as coisas se encaixam, a vida se ajeita. Aí tudo entra em piloto automático. As coisas vão indo bem. Agora no final de uma caminhada as coisas voltam a ser difíceis. Planos? Impossível fazer planos. Sonho. Essa seria a palavra. Há única alternativa é sonhar. Saber aonde se quer chegar é necessário. Como chegar e se irá realmente alcançar esse objetivo é outra história. O que resta é traçar metas. Pensar e sonhar. A possibilidade de voltar atrás, regredir, assombra e passeia arrastando correntes como nos corredores de castelos medievais para que mesmo que cubra a cabeça ainda seja possível ouvi-la. Depois de tanto avanço retornar seria desastroso. Olhar para trás sempre é bom, mas apenas para reflexão. Olhar o caminho já percorrido, aprender com tudo o que se passou, com os erros e acertos. Voltar às origens é realmente agradável, mas que seja por pouco tempo, para que a caminhada não cesse. Caminhada essa que chega a uma bifurcação onde vários caminhos são opções. Qual deles? Como falei, voltar é uma opção indesejada, porém não improvável. Todavia será necessário esperar. Algumas pessoas vêm ajudar. Para felicidade, a grande maioria incentiva por novos caminhos. Entretanto, eles ainda estão fechados. Alguém aí tem a chave? Não há muito tempo. Se demorar a se abrir, vai ser necessário voltar, pois a chuva vem chegando e o abrigo é frágil, bem frágil. O abrigo que espera no início da jornada é quente e acolhedor. Nesses anos de caminhada, ele se agigantou de uma maneira inimaginável. Mas como disse, voltar é a última cartada. Algumas pessoas têm as chaves que abrem os caminhos. Qual será ela? Talvez a chave deva estar perto, todavia o medo de nunca encontrá-la possui uma força tremenda. Nesse momento, o ranger das correntes se faz ouvir novamente. Falta pouco. A chuva está chegando, preciso da chave. Como encontrá-la antes da tempestade? Não há condições de enfrentar a tormenta nesse momento. Resta esperar e procurar a chave, antes que seja preciso voltar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

As novas musas da MPB

Nos últimos anos a música brasileira teve um aumento de qualidade que há muito tempo não se via. A década de 1990 foi paupérrima em termos de composição e interpretação. Salvo, claro, algumas exceções.
Pensei em falar das três melhores cantoras que surgiram na segunda metade da década de 2000, mas concluí que são quatro as principais e não posso deixar de mencionar nenhuma delas. Seria uma injustiça com elas e com a moderna Música brasileira.
São as quatro que mais me impressionaram, seja pela voz, pela simpatia, pelo carisma ou simplesmente pela empatia que tive com elas.
Vou listá-las em ordem alfabética e não na ordem de minha preferência.



1 – Céu

A Paulistana Céu nasceu em 17 de Abril de 1980. Lançou seu primeiro disco em 2005. Indicada duas vezes ao Grammy Latino; Em 2006, na categoria artista revelação e em 2007, como melhor cantora. Faz um enorme sucesso no exterior, seus discos venderam mais de 100 mil cópias nos Estados Unidos e chegou a ocupar o top 100 das paradas estadunidenses da Billboard, feito antes só alcançado por Astrud Gilberto, quando gravou Garota de Ipanema nos anos 60.
Com uma voz suave e uma certa “malemolência” que encanta a todos que a ouvem e que a vêem, Céu conquistou também a Europa. A voz meiga e o timbre peculiar nos fazem parar diante do rádio, ou de qualquer aparelho que toque sua música, e perguntarmos de quem é essa voz que nos envolve. É uma voz nostálgica, que nos remete a coisas boas do passado, nos faz voltar à infância. Sua música relaxa e faz bem não só aos ouvidos, mas a mente e ao corpo como um todo.

2 – Maria Gadú

Quem ouve pela primeira vez a voz dessa paulistana de 23 anos (1986) fica impressionado com a força vocal e a potencia que ela consegue transmitir. Os ouvintes logo tentam associa-la a alguma outra cantora. Lembram de Cássia Eller, Zélia Duncan e outras grandes intérpretes de nossa música. Ao vê-la então, muitos dizem: “É a nova Cássia”. Maria Gadú é apenas Maria Gadú. E isso não é pouco. Com uma inteligência rara e um tato primordial para escolher repertório, que poucos têm, ela em alguns meses conquistou primeiro a crítica, depois o público. Ela canta desde “Ne Me Quitte Pas”, do francês Jacques Brel e que ficou imortalizado na também potente voz de Maysa, até “Baba” de Kelly Key transformando com maestria a canção pouco erudita e despretensiosa da cantora em algo belíssimo de se ouvir. Ela ainda interpreta Os Paralamas do Sucesso (Lourinha Bombril, Caleidoscópio e Lanterna dos Afogados). Isso sem falar nas suas composições. Sim, ela também compõe, o que deixa seu trabalho ainda mais valoroso. Melhor do que falar de Maria Gadú é ouvi-la, ouvi-la e ouvi-la novamente.


3 - Roberta Sá



A potiguar Roberta Sá apareceu para o público pela primeira vez na segunda edição do programa Fama, da Rede Globo, em 2002. A cantora foi eliminada na quarta semana, mas alguém se lembra do vencedor do programa?
Roberta Sá lança seu primeiro álbum em 2005 – Braseiro - com canções de diversos nomes da MPB, variando de Chico Buarque e Paulinho da Viola a Marcelo Camelo e Pedro Luís, do grupo Pedro Luís e a Parede, seu marido. Já em seu disco de estréia, ela consegue boa repercussão e aos poucos foi se firmando como um das maiores intérpretes da música brasileira atual, gravando ao lado de Chico Buarque, Ney Matogrosso, MPB-4, Tom Zé e outros grandes de nossa música.
Roberta se tivesse apenas a voz que tem, já seria uma intérprete excepcional, mas além da sua potencia vocal, ela possui uma beleza ímpar, um graciosidade, uma delicadeza e ao mesmo tempo uma altivez que fazem com que o conjunto da obra seja algo de se admirar.
Como se não bastasse, a moça ainda conta com amigos e parceiros de inquestionável qualidade. Com todos esses pontos a favor, só é possível concluir que ela, com pouco mais de cinco anos de carreira, já pode ser colocada no mesmo patamar das grandes estrelas da MPB. Seus discos ficam melhores a cada lançamento. Ela vai se renovando sem perder a essência. Em suma, Roberta Sá é espetacular!






4 - Tiê

Tiê já foi modelo de sucesso, estudou canto em Nova Iorque e foi vocalista da banda de apoio de Toquinho. Ano passado, por selo independente, lançou seu primeiro CD. Aclamada em solo paulistano, a artista ainda é desconhecida do grande público.
O nome de seu CD primogênito, Sweet Jardim, cabe muito bem para defini-la. Sua voz é doce, sem deixar de se fazer presente. Seu estilo, definido por muitos como folk, se encaixa muito bem no atual cenário musical brasileiro.
Tiê aos poucos vai nos envolvendo, sua voz nos abraça como uma brisa quente num dia de inverno. É bom ouvi-la a qualquer hora do dia, mas experimente fazer isso na solidão da noite, a experiência fica ainda melhor.
Tiê tem tudo para se firmar no cenário musical brasileiro. A concorrência é grande, mas isso não importa, há sempre lugar para o talento.


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Ainda há dezenas de outras cantoras que mostram a força das mulheres na nova música brasileira. Cantoras como Mariana Aydar, Erika Machado, Ana Cañas, Marina Machado, Bruna Caram, Marina de La Riva. Isso sem falar nas vocalistas de bandas de pop rock que se aventuraram e, com sucesso, nas carreiras solo, cantando MPB, como é o caso de Fernanda Takai e Paula Toller.
Se depender de novos talentos, a música brasileira vai continuar forte por muito tempo ainda.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Governar para todos é o ideal



Não sou socialista, nunca fui socialista, não serei socialista, mas me identifico com as ideias da esquerda. Aliás, essa idéia de esquerda e direita foi-se há algum tempo. Sucumbiu junto com o muro de Berlim e com a derrocada da União Soviética em 1989/90. Então não posso dizer que sou de esquerda, já que considero que não haja mais lados definidos. Todos são de centro hoje, portanto, sou de centro, pendendo um pouco à esquerda.
O socialismo, vinculado à esquerda, assim como o comunismo, tem em suas ideias centrais algo que realmente faria o mundo melhor, o sentido de igualdade e da busca do bem comum e também de bens comuns. Esse conceito igualitário não vem de Marx, a revolução francesa já pregava essa idéia de igualdade e liberdade no final do século XVIII. Por que então o socialismo não funcionou no mundo e foi um completo desastre nos países em que foi empregado?
Simplesmente pelo fato de o homem ter o capitalismo em sua essência. Todo homem, por mais socialista que diga ser, tem um quê de capitalista. O capitalismo e a idéia de lucro são inerentes ao ser humano.
Todo homem trabalha, ou deveria trabalhar, para ganhar seu dinheiro e assim, sustentar sua família, seus filhos... Com o esforço do trabalho, ele consegue ganhar mais dinheiro e comprar mais bens para conforto dos seus. Se esse homem for socialista, ele gostaria que seus bens fossem divididos? Com o fim da grande propriedade privada que prega o socialismo, ele perderia os bens que talvez tenha levado a vida inteira para construir.
O maior comunista vivo (ainda) que conhecemos no Brasil é o brilhante arquiteto Oscar Niemeyer. Ele, com seus 102 anos, ainda acredita no sonho comunista. Com certeza, Niemeyer conseguiu, com seu talento, uma boa quantia de bens, que servirão de herança para seus herdeiros. Se o comunismo funcionasse, ele não poderia acumular riquezas, nem passá-la aos seus filhos e netos. Isso com certeza ele não aprovaria.
Certamente um país com igualdade social é um país em que todos sonham viver. Um país com livre democracia e decisões tomadas pelo povo e não pelos “burgueses” seria o ideal. Mas o que vimos nos países que adotaram o sistema comunista é uma diferença abissal do que pregava Marx e Engels. O comunismo de Stalin, Trótsk e Lênin na União Soviética foi um dos maiores desastres do século XX. Stálin era um ditador boçal, durante seu governo foram mortas milhares de pessoas. Mao Tse-Tung, o ditador chinês, ainda é tido como herói no país. A China, considerada ainda, em parte comunista, tem crescido nos últimos anos a custo de mão de obra barata e exploração do trabalhador, justamente o contrário do que pregava a ideologia marxista. O caso mais famoso é Cuba de Fidel. A ilha vive há mais de 50 anos sob o regime socialista e é isolada do mundo, com nenhuma democracia e ainda com o cerceamento dos direitos individuais.
O sistema capitalista não é a melhor maneira para se viver. Devia-se achar um meio termo entre socialismo e capitalismo, juntar as coisas boas de cada lado e formar um novo sistema. Mas assim como o verdadeiro socialismo, isso é apenas utopia. Por enquanto, vivemos assim, nesse meio capitalista que só pensa no lucro e não no bem comum.
Acredito sim, que se deve governar para os mais pobres, sem ser assistencialista em demasia. Acho que governar para os mais necessitados é governar para todos, e governar para todos é bairar a perfeição.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Jardim da Vó

Margaridas, onze-horas, rosas vermelhas, rosas rosas,
beijinhos e um cipreste que chamávamos de pinheirinho, enfeitavam o jardim da
“vó”. Tenho guardada na memória a imagem viva da vó, toda tarde, meio arcada,
aguando o seu jardim. Quando brincávamos de esconde-esconde e nos aventurávamos
adentrando o seu pequeno xodó no quintal, logo ela aparecia na janela da
cozinha e com sua voz rouca nos expulsava de lá. Saíamos bravos e batendo o pé,
respondendo, mas bem baixo para que ela não nos ouvisse.

Ela obrigava o nosso avô a capinar sempre o jardim,
que ele fazia meio a contragosto, mas sempre fazia. Deixava tudo limpinho.

Não me sai da cabeça a lembrança da vó, nos seus
últimos sopros de vida, pedir para ver o seu jardim, ainda florido e verdejante
lá embaixo. Ao vê-lo, ela disse apenas: “Valeu a pena”, aguentou só alguns
segundos sentada e a cama hospitalar instalada em seu quarto voltou a posição
horizontal, deixando apenas a visão do céu pela janela, era a ultima vez que
via o jardim.

Hoje tenho uma tristeza profunda quando olho aquele
jardim. Não é mais florido, está sujo, a grama alta, o pinheirinho que agora
está muito alto dá seus últimos suspiros.

O vô parou de capinar, acho que para ele aquilo não
mais importa, já não tem a vó para pressioná-lo e ver como ficou bonito.

Assim com o jardim que era cheio de flores, a casa da
vó era cheia de gente sempre. Depois da partida dela, tal qual o jardim que
perdeu sua beleza e suas flores, a casa não enche mais, não porque o vô não
seja importante. A vó era a alma daquela casa, a vó era a alma daquele jardim.


Mas na memória dos netos vai ficar sempre a imagem do sorriso da vó ao
ver seu jardim florido.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Fernanda Takai explica o sucesso




Colaboração de Márcio Rodrigues


Sempre vestida de forma peculiar (o mineiro Ronaldo Fraga é seu estilista de estimação), Fernanda Takai chega com sua famosa timidez que é muito comparada a de Nara Leão. Nelson Motta a definiu como “o oposto da exuberância e vulgaridade das estrelas pop rock”. Com sua voz miúda também como a de Nara, a cantora que nasceu no Amapá, mas como ela mesma diz é ‘mineira honorária’, conquistou o público exigente da MPB com seus dois discos solo.
Ela já havia conquistado o público pop rock desde o início dos anos 1990 com a banda Pato Fu, da qual é vocalista e que, segundo a cantora, continua sendo a sua prioridade.
Fernanda diz que não esperava o sucesso do seu primeiro disco solo ‘Onde brilhem os olhos seus’, de 2007. “Foi uma coisa despretensiosa, que fiz em casa e mandava por e-mail para o Nelson Motta, que produziu o disco e quando vi estava pronto”, conta. Ela, que hoje é unanimidade na crítica, se assustou com a repercussão positiva que obteve. “Eu esperava uma repercussão negativa, já que era cantora de uma banda pop que ia cantar músicas de um estilo diferente, mas ganhei o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor disco de MPB e depois outros prêmios”.
Em junho de 2009 foi lançado o segundo CD da cantora, ‘Luz Negra ao vivo’ foi tão bem recebido quanto o primeiro. Neste CD, Fernanda interpreta as músicas que compõe o show de sua turnê solo. Duran Duran, Michael Jackson, Eurithmycs, Roberto Carlos e Pinduca estão no repertório, além das músicas do CD primogênito.
Fernanda é bem eclética em seu gosto musical e isso a influenciou bastante. “Sempre ouvi de tudo, de Nara Leão a Duran Duran e isso tudo está no disco. Todas as músicas do disco solo são minhas escolhas. Eu gravo por pura empatia musical”, concluí.
Com autonomia para gravar, um excelente gosto musical e ótimo tato para escolher seu repertório, Fernanda Takai é a uma das vozes que mantém viva a boa música brasileira.

Foto Fernanda Takai: Márcio Rodrigues

Twitter:
http://twitter.com/marciojor
http://twitter.com/marcofeitor
site Fernanda:
http://www.fernandatakai.com.br
patofu

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Cresci, infelizmente cresci.

Tive a melhor infância que alguém pode ter tido. Era maravilhoso acordar e saber que ia brincar o dia inteiro: pique-esconde, pé na bola e todas aquelas brincadeiras infantis. Mas o bom era futebol, ainda mais quando o campo é na sua casa e você é o dono da bola. Minha maior felicidade era quando saía da escola na sexta e via o Henrique esperando lá no portão com a minha mãe, era sinal de que ele ia dormir na casa da ‘vó’ e que o final de semana ia ser bem divertido. Dona Cota xingando por causa do barulho e a vó reclamando por causa do jardim. Ah, o jardim! Henrique, Adriana e Glauber eram meus melhores companheiros. (o Vilson, outro grande amigo morava em Campos do Jordão, ainda) Crescemos juntos, brincávamos de tudo que se pode imaginar (até arremesso de chinelo, né Rique e Dri).Era maravilhoso. Felicidade plena. Alegria e a pureza de ser criança. No final do ano, a festa era maior, porque aí se juntavam nossos tios e dezenas de primos (Michelly, Erica, Jaque, Everton, Ronalt e tantos outros) Família enorme, alegre e feliz.Era simplesmente maravilhoso.Crescemos e cada um tomou um rumo diferente. Cada um foi cuidar da sua vida.Já não temos o campinho de futebol, o jardim da vó não é o mesmo. Já não temos a Vó, que ta lá em cima olhando por todos nós, mas ainda temos a casa da vó, que vai ser sempre a casa da vó (apesar de agora ser só do ‘Vô’).E que vô - Grande Sô Adolfo Feitor. Lá vamos nos divertir, lembrar o passado, contar as novidades e esperar o futuro.